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Comissão da OAB de Santo André defende desembargador que destratou GCM

Atualizado às 15h10

A Comissão de Direito dos Refugiados e Migrantes da subseção da Ordem dos Advogados do Brasil de Santo André emitiu uma nota em defesa do desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira.

Durante uma abordagem na cidade de Santos, enquanto caminhava pela orla, Siqueira foi gravado se negando a usar a máscara de proteção e destratando um agente da Guarda Civil Municipal. Nas imagens, o magistrado chama o guarda de “analfabeto” e joga a multa no chão.

O desembargador tem um longo histórico de abusos de autoridade e carteiradas, incluindo contato pessoal inconveniente até a quebra de uma cancela de pedágio por não ter paciência de esperar.

Em defesa de Siqueira, a comissão da OAB alega que a imprensa tratou o caso de forma sensacionalista e que o magistrado estava “assustado” diante da abordagem policial.

Leia a nota :

“A Comissão de Direito dos Refugiados e dos Migrantes da OAB-SP, subseção de Santo André. vem, por meio de seu Presidente solidarizar-se ao DD. Desembargador Eduardo Almeida Prado Rocha de Siqueira do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo, em relação ao episódio ocorrido dia 18 último em Santos.

A conduta do Desembargador retratada indevidamente pelos veículos de comunicação, com o fito apenas em impingi-lo como autoritário, reflete mais uma vez a sanha dos veículos de comunicação em alcançar os seus patrocinadores por meio do sensacionalismo.

Antes de tudo, trata-se de uma pessoa idosa que fora abordada de maneira abrupta (inclusive com abertura de portas), o que instintivamente provoca dois comportamentos imediatos: reação ou fuga.

Assustado, procurou o Desembargador em reportar aos guardas que decreto não é lei e, portanto, não há obrigatoriedade de cumprir ordem manifestamente ilegal.

A propósito, prevê o artigo, 146 do Código Penal: “Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, ou depois de lhe haver reduzido, por qualquer outro meio, a capacidade de resistência, a não fazer o que a lei permite, ou a fazer o que ela não manda: Pena – detenção, de três meses a um ano, ou multa”.

A ligação ao Inspetor-Chefe da Guarda Civil de Santos, apresentou o condão em resolver o conflito de maneira efetiva e legal, afinal quem não preza pela celeridade processual?

A CDRM reafirma que nenhum magistrado, seja de primeira instância ou dos tribunais superiores, pode ser punido ou ameaçado de punição porque decidiu de acordo com a sua consciência, nos termos da Constituição e das leis.

Igualmente, nenhum magistrado pode ser punido ou ameaçado de punição porque se manifestou publicamente na defesa da independência funcional da magistratura.

Vivemos em uma democracia e no Estado Democrático de Direito. Os magistrados, como todos os cidadãos, têm o direito de manifestar sua opinião e a Lei Orgânica da Magistratura, que surgiu em triste período da história deste País, deve ser interpretada sob o espírito democrático e participativo da Constituição Federal de 1988, a Constituição Cidadão, mas jamais ser utilizada como instrumento de intimidação.

A CDRM reafirma o seu compromisso com o fortalecimento do Estado Democrático de Direito, com a harmonia na convivência entre todos os magistrados e com o aprimoramento constante do Poder Judiciário.

Alberto Carlos Dias – Presidente da Comissão de Direito dos Refugiados e Migrantes

OAB/SP- Subseção Santo André”


OAB SE DEFENDE

Após a repercussão negativa da nota emitida pela Comissão de Direito dos Refugiados e Migrantes, a presidência da OAB de Santo André recorreu às redes sociais para se explicar.

Em vídeo (veja abaixo), a presidente Andréa Tartuce explica que a comissão não possui autorização ou permissão para falar em nome da instituição.
Alberto Carlos Dias, que assinou a nota em defesa do desembargador, será destituído de suas funções por descumprir o regimento interno da entidade.


Com informações do Consultor Jurídico


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