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Crise leva à queda das vendas parceladas no cartão pela primeira vez na história

O parcelamento no cartão de crédito, descendente direto do já quase extinto cheque pré-datado, foi incorporado aos hábitos de consumo dos brasileiros nos últimos anos. Para muitos consumidores, a valor das parcelas acaba pesando mais até do que o valor total do produto na decisão de compra. Nem mesmo as vendas parceladas, porém, resistiram à crise econômica que ainda assola o país.

A Boanerges & Cia., consultoria especializada em varejo financeiro, realizou uma análise que identificou uma queda inédita do faturamento real das vendas parceladas no cartão em 2015. Baseada nas estatísticas de pagamentos de varejo e cartões, divulgadas pelo Banco Central do Brasil (BCB) em 6 de julho, o levantamento da consultoria constatou também que subiu pelo segundo ano consecutivo o tíquete médio das vendas parceladas em sete ou mais vezes no cartão.

Embora o faturamento dos cartões de crédito no Brasil tenha registrado a primeira queda real da história em 2015, na comparação com 2014 (-0,6%), conforme estudo divulgado recentemente pela Boanerges & Cia., o faturamento das vendas em uma única parcela registrou alta de 2,2%, passando de R$ 319,9 bilhões em 2014 para R$ 326,9 bilhões em 2015. A retração do faturamento total, portanto, foi motivada pelo recuo das vendas parceladas. De fato, na comparação com 2014, o faturamento real das vendas em 2 ou 3 parcelas caiu 0,7%, de R$ 140,6 bilhões para R$ 139,6 bilhões; no caso das vendas de 4 a 6 parcelas, o recuo foi de 3,8%, de R$ 110,6 bilhões para R$ 106,5 bilhões; nas vendas em 7 ou mais parcelas, por sua vez, a queda foi de 6,7%, de R$ 86,2 bilhões para R$ 80,4 bilhões.

Segundo Vitor França, consultor da Boanerges & Cia., o resultado pode ser explicado pelo comportamento cauteloso dos consumidores, que evitaram se endividar durante a crise, privilegiando o consumo de bens de primeira necessidade e os pagamentos à vista, e também pelo conservadorismo de bancos, que temiam o aumento da inadimplência, e dos varejistas, que buscavam redução de custos.

A participação do cartão de débito no faturamento total dos cartões subiu de 37% em 2014 para 37,3% em 2015, atingindo assim o maior valor da série história iniciada em 2008. A participação das vendas no cartão de crédito em uma única parcela também subiu, de 30,7% para 31,3%. O faturamento das vendas em 2 ou 3 parcelas, por sua vez, representou 13,4% do total das vendas com cartão, o menor valor da história. O recorde negativo também foi registrado nas vendas de 4 a 6 parcelas (10,2% do total). No caso do faturamento das vendas em 7 ou mais parcelas, a queda da participação foi de 8,3% para 7,7% (-0,6 ponto percentual).


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